quarta-feira, 30 de dezembro de 2015



Muito se falou em 2015 como um ano ruim, de catástrofes, muitas perdas, muitas mortes, “já vai tarde, 2015”, “tá bom de acabar”, etc. Não sou mulher de indiretas, falo de um contexto geral. Entretanto, não concordo com ele. Infelizmente, meus amigos, coisas ruins acontecem independente de uma mera troca de calendário. Quem me dera pudesse trocar a cabeça de alguns, atitude de outros, o coração de pedra de tantos. 

A única certeza de que temos na vida é que um dia ela chega ao fim. Eu gostaria muito que ela não fosse interrompida pela violência provocada pelo preconceito, pelo machismo, pela ignorância e cegueira das guerras, pela intolerância, por motoristas inconsequentes, por gente com “o rei na barriga”, por acidentes estúpidos, por grandes catástrofes frutos da mão do homem ou da natureza em resposta ao nosso excesso de ganância. Eu gostaria muito também que vidas não fossem interrompidas por não cuidarmos bem do nosso verdadeiro e único templo: nosso corpo. Cuidamos melhor de nossas máquinas – carro, televisão, celular, computador e a parafernália toda – do que do nosso motor supremo, o coração. A gente se vai, elas ficam.

Muito acontece de ruim no mundo. Eu fico triste, indignada, eu bato o pé, eu xingo, eu desabafo por horas com meu amor, eu choro. Só ele sabe. Ele me fala para eu não ficar assim, para não me envolver tanto. Ele me abraça. 

É preciso saber sorrir para começar ou seguir fazendo a própria parte. Não existe um todo sem as partes, afinal. É bom lembrar que outros tantos eventos acontecem para a alegria de muitos. Em um minuto, posso me lembrar de um punhado deles. Três amigas ficaram grávidas, duas tiveram filhos; finalmente tivemos nossa viagem de lua de mel, voltei a um país que foi um divisor de águas em minha vida com meu amor; vi o Ricardo Darín ao vivo e a cores em uma peça; revi amigos de outros estados; vi concertos inesquecíveis e vi a alegria e o entusiasmo de amigos em todos os outros que não pude ir; consegui meu diploma em Nutrição e passei a atender no consultório; iniciei uma pós-graduação; brinquei com meu sobrinho e presenciei sua alegria contagiante vendo uma festa toda dedicada a ele; brindei com amigos; dancei, cantei e toquei com meu amor; amigos me fizeram uma verdadeira surpresa uma semana depois do meu aniversário; saí e conversei mais vezes com meus pais; nadei, corri e peguei peso; bebi vinho tinto aqui e acolá; quebrei uma taça sem querer e não me senti culpada por isso; abracei meus amigos; abracei meus irmãos; ri várias vezes descontroladamente até chorar e sentir dor na barriga; emocionei-me com filmes, músicas, livros e obras de arte (sim, a arte salva!); emocionei-me com a emoção alheia; tive aulas incríveis; estudei; adormeci no colo do meu amor. E amei.

Eu também descobri que estava grávida. Emocionei-me com as ultrassonografias de mãos dadas com meu amor, com as lágrimas de minha mãe e com os sorrisos e abraços de todos aqueles que me amam do jeito que eu sou e de todos os jeitos que eu já fui e continuarei sendo. Lua adversa, alguém se lembra? ;)

Celebremos a vida - sem desmerecer a dor nem a alegria do outro. Mas meu desejo é que o sorriso persista. Cheio de saúde.


Nós nunca sabemos o que nos espera. A despeito de nossos planos, cronogramas, agendas, a vida corre vibrante a saltos de guepardo. Mas eu não me desespero ao olhar para trás vez ou outra. Ao contrário, diverte-me observar as mudanças. Sorrio. Tolo é aquele que se fecha a elas, pois é preciso dar-se o direito de mudar seu próprio mundo o quanto for preciso, o quanto lhe for benéfico para estar em paz consigo mesmo. E o mundo...ah, o "mundo" que se foda um pouco, para variar. Respeite-o e exija respeito. Caso contrário, mude de vizinhança, porque você só tem satisfação a dar a si mesmo.

É isso. A gravidez me deixou mais doce, mas sem perder a brutalidade jamais. Às vezes é preciso. É saudável e faz bem à pele.